A Incomparável Vivência Em Moçambique Português

Lembro-me sempre da sensação que sentia, quando pela madrugada acordava e viajava para Nampula indo ao encontro dos meus familiares, amigos e amigas de infância!
Nessa noite eu não dormia!
A sensação de contentamento era extraordinária, talvez fosse porque a Natureza me indicava a quem eu pertencia!
A minha casa de paredes grossas e consistentes nesse dia, a partir de uma determinada altura desaparecia!
A ansiedade e a alegria invadiam-me a alma, transformando-me no menino irrequieto, saltitão, ávido de partir para aprender, pois o conhecimento naquela altura passava por Nampula A Bela Adormecida situada no meio de vales e montes!
Ao atravessar a ponte e ao aproximar-me do continente, o odor da maresia desaparecia, tornando-se então mais premente o cheiro da terra húmida em que não existe em nenhuma parte do Mundo!
Enquanto o carro corria, tinha que meter um novo algoritmo mestre mo meu cérebro para iniciar uma aprendizagem automática e poder registar tudo o que pudesse ver de novo!
As livrarias Dómus, a Académica e a Sonil eram os primeiros pontos de paragem, logo que o meu pai estacionasse o carro!
Vasculhava as estantes todas com o objetivo de procurar livros que me possibilitassem saber porque é que eu existia! Tinha um número limite de horas para regressar à Ilha!
Em Nampula, os meus amigos todos eles eram e são diferentes, com características próprias de habitantes de uma cidade do interior que se queria e se quer afirmar como berço da civilização no Norte de Moçambique! A cidade mantém uma idiossincrasia própria tendo como base a multiculturalidade!
Hoje, Nampula mantém perspetivas surpreendentes sob o ponto vista sociológico, onde a principal preocupação tem sido em cada encontro, com outras pessoas, famílias, amigos conhecidos e desconhecidos, transformarem o nosso corpo num cérebro social!
Viajando no tempo, Nampula mantêm-se imponente, continuando a ser o pulmão da economia no Norte de Moçambique sendo a agricultura a base de sustentação do seu desenvolvimento!
A cidade não saiu do sítio, permanece majestosa, imponente, ela existe com as referências próprias do desenvolvimento de um novo processo histórico e cultural
Perceber estas novas descobertas, criam em nós um impacto súbtil mas poderoso e permanente alterando o nosso ritmo cardíaco, mas com a nossa sensibilidade humana e a inteligência emocional que possuímos, devemos transformar a nossa Terra num estado de emoções e afetos!
Caros amigos, chamaram-me já para regressar, prometo que voltarei sempre que me for possível, para adornar esta página com as cores do Universo reforçando a identidade da Nossa Terra!
Nampula Sempre!
(Luís Correia Mendes, 21.10.2018)






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