Os gelados italianos Ciao ficavam situados no nº 426 da Avenida Massano de Amorim.
Voz já mudada, borbulhas para trás, reles barba a despontar, hormonas a fluir, na idade de todos os perigos, quando se perde o controlo dos mecanismos da mente, que passam a ser controlados pelos vultos, curvas e trajes do sexo oposto que os olhos observam, apreciam e desejam, era eu assim com 16 anos quando, com os amigos, comecei a frequentar os gelados italianos.
Chegar gingando na tarde quente de sol intenso, entrar, pedir os gelados do grupo e depois … ah, depois procurar a mesa estratégica na esplanada e esperar … aguardando … movimentos lânguidos (mesmo sem estar consciente disso), cérebro de gala-gala, com um olho na conversa da mesa e com o outro na rua e nas jovens – e que jovens – que entravam.
Depois era aquele nervoso delicioso, quando alguma que nos mexeu o ser se sentava pertinho com as amigas! E nessa altura, deixava-se de ser coerente no bate-papo com os amigos, tínhamos entrado em regime de engatanço, ao ponto deles nos gozarem “… aposto em como não tens t para ir lá falar com ela …”.

E o nosso orgulho de machinhos era ali posto cruamente à prova! E se a coragem nesse dia não estivesse ali connosco, não só ficavamos o resto da tarde na berlinda, como as garotas alvo percebiam e ajudavam simuladamente no jogo do gozo! Era duro ser jovem numa cidade bafejada com tantas moças lindas e mulheres esbeltas e bem vestidas 🙂
Claro que também fui aos gelados italianos em grupos inocentes de amigos e amigas, na esplanada faziam-se planos para o fim de semana; ou também circulei de noite pela Massano de Amorim no carro de um de nós, para impreterivelmente estacionarmos em frente à Intermanos, ao lado dos gelados, para ir apreciar as carrocerias de fibra de vidro para “buggies” e sonharmos com a conversão do chassis de um VW que iríamos comprar …
Fonte da foto: HousesOfMaputo.






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