A Incomparável Vivência Em Moçambique Português

Quem sabe do que se trata, lembra, ou assistiu?
Foi o tatoo militar realizado no estádio Silva Pereira em Lourenço Marques.
No tatoo de 1962, o Centro Hípico fez uma bricadeira/simulação de um grupo de índios atacando uma carruagem que era dirigida pelo Tanganho que fez a volta a Portugal a cavalo … O meu irmão João participou também, tenho a certeza que o Dário Lino e a D’Ana Dawson participaram …
O TATOO foi uma forma de se mostrar à população como as forças armadas eram organizadas. O MNF (Movimento Nacional Feminino), na tentativa de também arrecadar fundos para os Soldados, resolveu investir neste projeto, e realizou dois espetáculos.
Um em 1962 e outro em 1963.

TATOO 62
Este foi o primeiro que se realizou, com duas apresentações: 27 e 28 de Dezembro no Campo do Desportivo. É de salientar que este foi o primeiro espectáculo coordenado pelo MNF, já que as verbas governamentais que o MNF recebia não eram suficientes para fazer tudo o que o MNF ensejava.
Assim foram elaboradas as apresentações e a imprensa ajudou e muito na divulgação, já que não era comum este tipo de espectaculo acontecer no início da guerra.
A ideia era angariar fundos para o NATAL DO SOLDADO, NESTE PRIMEIRO ANO DE GUERRA AINDA SÓ EM ANGOLA.

Assim o MNF de Moçambique já se organizava para que mais eventos pudessem ser realizados e as verbas à disposição fossem recolhidas. O público respondeu à altura.
O espectáculo em si apresentou no seu programa demonstração de precisão, sincronismo, aparato e larga preparação militar. A banda do quartel General iniciou com o hino nacional e o içar da Bandeira.
Depois entraram os cães de guerra com seus tratadores, comandados pelo Capitão Costa Campos, saltando barreiras, atravessando circulos de fogo, e capturando inimigos.
Uma companhia da policia Militar executou depois uma série de evoluções de sincronização, figuras geométricas, etc. Depois a banda do quartel e três fanfarras fizeram um excelente número harmónico e de grande efeito visual.

Depois entrou a Cavalaria, que com jogos de luz, realçou quadros da batalha de Ourique, dos combates de Magriço e de Macontene e uma grande homenagem a Mouzinho de Albuquerque.
Na segunda parte do espetáculo foi montada uma fortaleza fidedigna à da Ilha de Moçambique onde se assistiu ao render da guarda.
A companhia de Caçadores especiais 313 entrou depois e participou em impressionantes números de ginástica de aplicação militar, descendo aparatosamente em cabos, desde o alto da barreira, junto ao hotel Girassol, enquanto metralhadoras faziam ouvir o seu barulho, subindo e saltando depois de camiões em movimento.

Este foi um dos números que mais me impressionaram. Montagem e desmontagem de ponte por cerca de 8 minutos.
Entrou então a cavalaria: Capitães de cavalaria Vasconcelos Porto, Luis Inocentes, Jorge Osório, Gabriel Dores, Gonçalves Ribeiro, Alfredo Cunha, Jorge Mathias e o alferes Correia Barreto evolucionaram com as suas montadas no melhor estilo e num alarde de magnífica equitação.
Como último número entrou um carroucel de Jipes, que entusiasmou a assistência pela perícia na condução dos Jipes, cruzando-se a alta velocidade e estabelecendo figuras de grande efeito.
O Tatoo encerrou-se com o arriar da Bandeira.

Este Tatoo rendeu a importância de 135.191 contos que foram demonstrados no resumo das atividades do MNF em 24 de Março de 1963 (relativo ao ano de 62), publicado em todos os jornais para que a transparência fosse total.
Quando tratar do MNF aqui no grupo, colocarei todas as atividades e onde foram aplicadas as verbas.


A título de curiosidade e para os saudosistas do hipismo, segue a relação dos cavaleiros e seus respectivos cavalos:
Cap. Vasconcelos Porto montando Intruso; Cap. Luis Inocentes montando Harpagão; Cap. Jorge Osório montando Figaro; Cap. Gabriel Dores montando Limpopo; Cap. Gonçalves Ribeiro montando Helénico; Cap. Alfredo Cunha montando Kanimambo; Cap. Jorge Mathias montando Fulmar; Alf. Correia Barrento montando Harpa.
Sobre o Tatoo 63 postarei depois.






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