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O Kalifa

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Na Baixa de Lourenço Marques ficava o Restaurante-Bar Kalifa, na Travessa da Maxaquene, em frente ao John Orr’s.

O Kalifa, cujo proprietário era o Sr Acácio (assim como do Sheik), era um mítico local de encontro de noctívagos adultos, para se saciarem e cavaquearem a altas horas da noite. Decorado ao estilo do sumptuoso árabe, era um espaço pequeno com um ambiente reservado e chique.

Reclame do Kalifa, sobre o local do restaurante, numa fachada muito degradada no Prédio Santos Gil, em Maputo.

O Kalifa foi o primeiro restaurante de atmosfera intimista pelo seu tamanho e tipo de mobília a abrir em Lourenço Marques. Foi de facto o predecessor do Sheik “rico”, pois era do mesmo proprietário.

Logo de início, pelo seu décor arabesco, tornou-se um ponto de visita e de encontro para quem tinha posses para o frequentar. Aliado a esse tipo inédito de decoração, a ementa e a qualidade das refeições tornaram o Kalifa num dos restaurante mais famosos da sua época, tendo atingido a sua popularidade máxima em plena década de 70.

Estamos de frente para a Travessa da Maxaquene; a foto foi tirada provavelmente no passeio em frente ao edifício dos CTT, na Avenida da República; temos na esquina do lado direito o Prédio Santos Gil (onde ficava o Café Continental), com a Casa Vilaça no r/c, a seguir ficava o Kalifa, depois a Casa Fajardo e na outra esquina a Casa Cardiga, no r/c do Prédio Cardiga; do lado esquerdo da Travessa da Maxaquene está o edifício do John Orr’s.

Entrar no Kalifa à hora do almoço por exemplo, saindo do ruído e confusão da hora de ponta da baixa de Lourenço Marques, era como entrar numa gruta mágica de luzes semi escondidas, um ambiente de tranquilidade e penumbra que convidava a uma disposição para confidências. E claro, criava a expectativa de uma belíssima refeição fosse qual fosse a escolha do menu.

Não querendo ser exaustivo, longe disso, quero recordar algumas especialidades famosas preparadas pela mágica mão do Chef Laurent, num restaurante icónico para os laurentinos, onde se compraziam divinais pitéus servidos em caçarolas de barro “regados” com Tintos de Reserva, como o “bife à Kalifa”, as favas, a “sopa da meia-noite”, as lagostinhas gratinadas, os kebabs e o inesquecível biryani.

Aqui vemos a Travessa da Maxaquene num enquadramento Sul-Norte, com a Avenida da República em fundo, podemos vislumbrar o edifício dos CTT; do lado esquerdo temos dois prédios entre a Avenida da República e o cruzamento com a Rua Joaquim Lapa, o Prédio Santos Gil (esquina da Avenida da República com a Travessa da Maxaquene) e mais próximo o Prédio Cardiga (esquina da Rua Joaquim Lapa com a Travessa da Maxaquene); neste quarteirão do lado esquerdo, ficavam a Casa Cardiga (na esquina da Rua Joaquim Lapa com a Travessa da Maxaquene), a Casa Fajardo, o Kalifa e a Casa Vilaça (na esquina da Travessa da Maxaquene com a Avenida da República); do lado direito fica o edifício do John Orr’s; para cá da Rua Joaquim Lapa temos do lado direito o edifício do Barclay’s Bank; a foto é tirada muito próximo da Rua Alexandre Herculano, que fica atrás do fotógrafo.

O Kalifa (assim como o Sheik) foram prova da extraordinária capacidade empresarial e bem assim imaginativa de um luso moçambicano que fez sua terra de escolha Moçambique.


Um comentário a “O Kalifa”

  1. Avatar de Cisbela Ferrão
    Cisbela Ferrão

    É sempre um gosto ler os seus artigos João, tão pormenorizados que me sinto no local. Bem haja.

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