A marginal de Lourenço Marques tem 14km de extensão. Uma légua sesmaria são 6km.
A imagem permite-nos abarcar toda a zona Nordeste de LM, na faixa ao longo da marginal defronte à Baía do Espírito Santo, entre os limites da cidade de cimento e o Autódromo do ATCM.
Reparem na extensão de Lourenço Marques, ía muito além da zona da malha urbana, o “cimento”. E só vemos aqui a zona Nordeste!

Se olharmos com atenção para a foto, referenciando o prédio esbranquiçado no início da área construída (indicado pela seta amarela), ali ao fim da Av. António Enes, verificamos que a cidade acomoda entre esse prédio e o primeiro plano na base da foto:
- o viaduto para a marginal, mais imaginado que visível;
- o Dração de Ouro;
- o Pavilhão de Chá;
- a praia da Polana;
- o Clube Naval (vela);
- o Clube Marítimo (vela);
- a praia do Miramar;
- o bairro do Triunfo, que nesta foto mal se vê;
- o bairro da Mahotas, com a Escola Industrial, que não consigo identificar na foto;
- parte da marginal, nomeadamente a que acompanha os terrenos do autódromo;
- o Autódromo de Lourenço Marques;
- a leste do autódromo, para fora da foto, extendiam-se os terrenos dos viveiros municipais de Lourenço Marques …
… e a marginal depois prolonga-se até à Costa do Sol, já fora da foto.
Estas eram já as infraestruturas de uma cidade maior em expansão em 1974/75, dignas de uma capital – mesmo que de Estado Provincial – que era elogiada e mesmo admirada pelos nossos vizinhos e assíduos visitantes, os sul-africanos!
Esta foto, especialmente por ser a preto e branco – e pela perspectiva tomada, facilitadora e convidativa à observação em modo planador sobre o solo, espraiando-se com gosto desde o pormenor do primeiro plano até à névoa dos arranhacéus em fundo – incute ao observador a pujança de Lourenço Marques há 46 anos!
A cidade na foto, a capital da ex província de Moçambique, foi erguida pelos Portugueses, a maioria deles residentes ou naturais de Moçambique.
E não vou deixar de fora o moçambicano negro, o qual foi participante central na construção de Lourenço Marques, através da sua força laboral, dirigida maioritariamente pelo génio constructor dos portugueses (nascidos ou não em Moçambique) de ascendência europeia.
Quis a tortuosa História do século XX que fosse esse negro quem a herdaria!
Esta foto e o que ela significa deve orgulhar todos os que lá trabalharam, lá viveram e lá nasceram.
Fonte: Voando em Moçambique.




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