Na foto acima, o Edifício Ja Assam, na esquina da Avenida Manuel de Arriaga com a Avenida da República, circa 1950.
A aventura dos chineses em Moçambique tem várias etapas. Uma, remonta ao fim do século XIX, quando algumas famílias, vindas sobretudo da região de Cantão, fixaram residência em Lourenço Marques. Muitos deles iam a caminho da Montanha Dourada, o nome dado a São Francisco, onde foi encontrado ouro, pela primeira vez em 1848.
Mas, para confusão geral, quer Melbourne, na Austrália, quer Joanesburgo, na África do Sul, eram chamadas Nova Montanha Dourada. A história conta que só quando chegavam a Joanesburgo é que muitos dos chineses descobriam que não estavam em São Francisco! E muitos outros nem lá chegavam porque decidiam ficar em Moçambique.
Outros vieram das Ilhas Maurícias, onde não podiam possuir a terra, pelo que decidiam embarcar para novas oportunidades. Famosas eram as machambas dos chineses na Manhiça, com grandes bananais e hortaliças que abasteciam o mercado da capital.
Um dos chineses mais famosos foi Ja Assam, um carpinteiro que fez fortuna em Lourenço Marques. Tornou-se dono do prédio que ganhou o seu nome, com frente para o Bazar, fazendo esquina na esquina da Avenida da República com a Avenida Manuel de Arriaga.

Antes era ali o LM Bazar, hoje sede do Centro Cultural Brasileiro, e ia até ao Marta da Cruz, outra loja grande, mesmo frente ao BNU.
Um dos outros prédios chineses ainda existentes é o Tchi Kung Tong, na avenida 5 de Outubro (actual Josina Machel), onde se jogava o mah jong. Era um dos círculos recreativos da comunidade, um belo edifício que mereceria outra atenção.
A comunidade chinesa de Lourenço Marques chegou a contar cerca de 3.500 pessoas, e a da Beira cerca de 4.000 pessoas. Eram sobretudo carpinteiros, pedreiros e agricultores, incluindo donos de restaurantes onde a comida era boa e barata.
Tudo indica que a comunidade fez pela vida, focando na construção, carpintaria e agricultura. De facto, houve uma altura em que quase todos os frescos que alimentavam os citadinos eram produzidos por chineses. Cedo a comunidade organizou-se, criando estruturas e organizações culturais, desportivas, religiosas e de apoio social, distinguindo-se, em Lourenço Marques, os contributos de Ja Assam, digamos que um dos membros mais abastados e influentes da comunidade.
Enquanto a China passava por décadas de guerras e revoluções, Ja Assam e a sua Família seguiam esses eventos em Moçambique, onde Ja (e também o seu filho Kuntai) faleceria ainda antes da independência (1975), altura em que a maior parte dos seus descendentes foi para Portugal e alguns já estavam no Reino Unido.
Fontes das fotos: África Bela, The Delagoa Bay World; fontes do texto: Kuan Ti – O Protector Desprotegido, The Delagoa Bay World




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